Réquiem por um Programa
Este texto começa por um lamento, mas, antecipo, termina com um alento.
O lamento é a decisão tomada em 2013 pela Comissão Fulbright Brasil e pelo MEC, sobre a não reedição para 2015 do Programa de English Teaching Assistants nas faculdades de Letras de instituições públicas. Durante quatro anos, iniciando-se em 2011 e com os últimos ETAs presentes nas faculdades neste ano de 2014, cerca de vinte instituições espalhadas em todo o Brasil contaram com a presença de jovens americanos que ajudaram a incrementar o ensino e a aprendizagem de inglês dos futuros professores dessa língua, atuais graduandos de inglês. A suspensão do programa deu-se, em grande parte, pela decisão de se jogar todas as fichas (no caso, o financiamento) no programa Inglês Sem Fronteiras, o qual apoia o Programa Ciência Sem Fronteiras (CSF). Como os alunos das universidades brasileiras chegam, em sua maioria, ao ensino superior sem proficiência em inglês, foi preciso criar esse programa emergencial para que eles aprendam ou melhorem o seu inglês antes de saírem do país para participar do CSF.
A pergunta que não quer calar é por que esses alunos chegam na universidade sem o conhecimento da língua que estudaram durante oito a dez anos no ensino básico? Por diversos motivos, que vão das pobres condições de ensino à falta de uma efetiva proficiência do professor de inglês das escolas, passando por fatores conjunturais tais como o status da disciplina, o salário do professor, entre outros problemas sistêmicos. O programa não reeditado para 2015 – o dos ETAs nas faculdades de Letras – buscava justamente resolver um dos problemas conjunturais dessa situação: qualificar melhor os futuros professores da educação básica para que em uma ou duas gerações todos chegassem à universidade com um bom conhecimento de inglês. O pensamento dos tomadores de decisão, no entanto, só pensa no imediatismo e não a longo prazo. Este é o lamento!
O alento é o pedido para que todos que tenham experiências positivas para contar, fotos e vídeos dos quatro anos do programa, que o façam aqui neste blog nos espaços apropriados. Assim, talvez este alento torne-se uma ação em prol da volta do programa em 2016.
Belém, 14 de agosto de 2014.
Profa. Dra. Walkyria Magno e Silva
Universidade Federal do Pará
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